Saltar para o conteúdo principal
OpenAI

Como a Localiza reorganizou o trabalho em torno da IA generativa

Para a empresa, a IA generativa vai além da produtividade: é uma nova interface de computação. Esta aposta concretiza-se em três áreas: transformar o negócio, criar novas interfaces para clientes e desenvolver produtos concebidos de raiz com IA.

Dimensão da empresa: Enterprise
Região: América Latina
Setor: Viajar
Produtos: ChatGPT, API, Codex
A carregar…

Um novo tipo de computação, não uma nova ferramenta

Quando surgiu a IA generativa, a Localiza adotou uma perspetiva que definiu tudo o que se seguiu: não se tratava apenas de mais um software entre as ferramentas disponíveis, mas de uma mudança na forma como a empresa funciona.

Em vez de procurar casos de uso isolados, a empresa organizou a sua colaboração com a OpenAI em torno de três pilares estratégicos: transformar o negócio através da experimentação em larga escala, criar novas interfaces para os clientes e desenvolver produtos concebidos de raiz com IA. O que une os três pilares é a decisão de reformular processos em torno da inteligência, do contexto e da rapidez.

«Vemos nisto uma ferramenta poderosa que ajuda as nossas equipas a fazer aquilo que já fazem bem. Vivem a nossa cultura, compreendem as necessidades dos nossos clientes e sabem prestar um excelente serviço.»
—André Petenussi, diretor de tecnologia, Localiza

Pilar 1: a escala permite aprender

O princípio que orienta a adoção interna é simples: a escala permite aprender e a aprendizagem gera melhores produtos.

Na prática, isto significou distribuir licenças do ChatGPT como recurso para a experimentação e a produtividade, e não apenas como um benefício individual. As equipas de toda a Localiza, da área financeira às operações diárias, mantêm experiências em curso com GPTs personalizados, agentes e Codex.

O Codex chegou primeiro ao departamento de tecnologia: engenheiros de software, gestores de produto, designers e cientistas de dados. Mas a adoção não ficou por aí: analistas, gestores, gabinetes de gestão de projetos (PMO), advogados e outros especialistas do negócio começaram a criar os seus próprios protótipos e automatizações para testar hipóteses nas suas áreas de especialidade.

Foi um efeito que a empresa não tinha previsto: uma redefinição das etapas anteriores ao desenvolvimento, com equipas multidisciplinares a criar protótipos de soluções antes de estas entrarem na lista de espera para desenvolvimento.

O principal entrave, afirma, é humano, não técnico.

«O grande desafio é ajudar uma equipa numerosa a aprender novas formas de trabalhar e a desenvolver novas competências, garantindo que as nossas 19 tribos e 130 squads trabalham de forma eficiente e consistente.»
—André Petenussi, diretor de tecnologia, Localiza

Pilar 2: os clientes descrevem as suas necessidades em linguagem natural

A segunda área parte de uma observação sobre o comportamento: as pessoas começaram a descrever o que precisam em linguagem natural, criando uma nova porta de entrada para os serviços de mobilidade, precisamente no momento em que expressam a sua intenção.

Os dados internos da Localiza confirmam esta mudança: o tráfego proveniente de grandes modelos de linguagem (LLM) tem crescido rapidamente desde 2024, com o ChatGPT a afirmar-se como o principal canal.

A empresa optou por marcar presença neste espaço desde cedo. Em março de 2026, tornou-se a primeira plataforma de mobilidade do Brasil, e uma das primeiras da América Latina, a disponibilizar uma aplicação integrada diretamente no ChatGPT. Os clientes podem explorar opções de aluguer, subscrição e veículos usados e iniciar o processo na conversa, antes de concluir a transação no ambiente seguro da Localiza.

«Acreditamos que temos conseguido servir os nossos clientes destas novas formas porque abraçámos este desafio desde cedo e continuámos a aprender a cada passo.»
—André Petenussi, diretor de tecnologia, Localiza

Internamente, a aplicação da Localiza no ChatGPT é encarada como aquilo que é: uma experiência concebida para manter a empresa a par das novas tendências de comportamento dos clientes, acelerar a aprendizagem com interações reais e explorar de que forma a IA complementa o ecossistema existente.

Pilar 3: Liza, um produto concebido em torno da conversa

O exemplo mais claro de um produto concebido de raiz com IA na empresa é a Liza, uma assistente de conversação que se tornou um caso de sucesso consolidado nas suas operações.

A diferença face a um chatbot tradicional está na arquitetura, não na interface. Em vez de seguir uma árvore de decisão fixa, a Liza foi desenvolvida em torno da conversa, da intenção e do contexto: combina modelos da OpenAI, serviços da Localiza e ferramentas especializadas para apoiar momentos essenciais da experiência, desde a compreensão do pedido inicial até à assistência nas principais etapas do percurso de aluguer.

A ambição é gerir percursos repetitivos com qualidade e libertar as equipas para interações complexas e de maior valor.

Mas o sucesso não se mede pelo volume de automatização.

A Localiza já mapeava e media os seus percursos de atendimento ao cliente antes de ter acesso a este tipo de tecnologia. Essa base permitiu decidir com clareza onde deve atuar um agente e onde é necessária a intervenção humana.

«Sempre procurámos tornar o percurso do cliente o mais fluido possível e desenvolvemos métricas para medir a qualidade dessa experiência. Também acompanhamos a conversão, naturalmente, mas a nossa prioridade é a experiência do cliente.»
—André Petenussi, diretor de tecnologia, Localiza

A Liza também alimenta um ciclo de aprendizagem contínua: os sinais das interações, agregados e monitorizados, ajudam a identificar necessidades, pontos de fricção e oportunidades de serviço. Combinados com capacidades de voz — conversão de voz em texto e de texto em voz —, estes sinais apoiam a sua evolução de chatbot transacional para uma interface de cliente concebida de raiz com IA, capaz de aprender e de se expandir a diferentes percursos de mobilidade.

«Isto liberta grande parte da equipa para resolver problemas mais relevantes com maior confiança e facilidade, ajudando-nos a cumprir a nossa missão junto dos clientes.»
—André Petenussi, diretor de tecnologia, Localiza

Aprender em conjunto, desde o GPT‑3.5

A parceria com a OpenAI começou cedo: a primeira versão da Liza ainda funcionava com o GPT‑3.5.

Para Petenussi, o principal valor da relação está na aprendizagem ativa entre duas empresas que evoluem em paralelo, e não numa funcionalidade específica. É uma relação em que o parceiro compreende os desafios da Localiza e os diferentes níveis de maturidade das suas capacidades, tanto na área tecnológica como fora dela.

É um argumento que apresenta frequentemente a outras empresas do mercado: perante uma tecnologia ainda em amadurecimento, a aprendizagem por tentativa e erro e a colaboração próxima têm um valor considerável.

«Acreditamos que ainda estamos nos primeiros anos de uma tecnologia que está a transformar os mercados, a forma como trabalhamos e como utilizamos produtos e serviços. Vai ajudar a moldar o nosso mundo nos próximos 5, 10 e 15 anos.»
—André Petenussi, diretor de tecnologia, Localiza

Resumo dos resultados

  • Em março de 2026, a Localiza tornou-se a primeira empresa do Brasil, e uma das primeiras da América Latina, a lançar uma aplicação integrada diretamente no ChatGPT; mais recentemente, aderiu, como anunciante, ao programa-piloto de publicidade da plataforma no Brasil.

  • O tráfego proveniente de LLM tem crescido rapidamente desde 2024, com o ChatGPT como principal canal.

  • A assistente Liza funciona com mais de 60 agentes especializados, assentes em modelos de raciocínio, integração MCP e ferramentas especializadas que coordenam o percurso de aluguer.

  • As equipas de toda a empresa, da área financeira às operações, mantêm experiências em curso com GPTs personalizados, agentes e Codex.

  • O Codex chegou ao departamento de tecnologia e alargou-se às áreas de negócio, com analistas, gestores, PMO e advogados a criarem os seus próprios protótipos e automatizações.

  • A área de tecnologia está organizada em 19 tribos e 130 squads.

Lições para líderes

  • Encare a IA como um novo modelo de funcionamento, e não apenas como um meio de aumentar a produtividade. Os maiores ganhos resultam da reformulação dos processos em torno da inteligência, do contexto e da rapidez.

  • Use a escala para promover a aprendizagem. Experiências simultâneas em larga escala geram mais conhecimento para a organização do que um projeto-piloto perfeito.

  • Leve a experimentação para além da área tecnológica. Quando advogados, PMO e analistas criam protótipos nas suas próprias áreas, a natureza do trabalho preparatório muda.

  • Mapeie e meça os percursos dos clientes antes de os automatizar. Ter métricas de qualidade definidas permite decidir onde deve intervir um agente e onde a intervenção humana é indispensável.

  • O entrave à adoção é a requalificação, não o modelo. Mudar a forma como centenas de pessoas trabalham é mais difícil, e mais decisivo, do que integrar a tecnologia.

Sugestões

  • Comece pelo problema e pelo percurso do cliente, e não por uma funcionalidade do modelo.

  • Atribua licenças como investimento na experimentação, e não como benefício individual.

  • Defina métricas de qualidade antes de alargar a utilização de agentes de conversação.

  • Encare a presença em novos canais de conversação como uma experiência de aprendizagem, e não como uma campanha de aquisição de clientes.

  • Complete o ciclo: use os sinais gerados por cada interação para melhorar o próprio produto.

Próximos passos

A Localiza ambiciona colocar a IA no centro das suas próximas experiências e processos, seja na forma como o trabalho é realizado, na experiência criada para os clientes ou na resolução de um problema operacional.

As próximas áreas já em desenvolvimento com a OpenAI incluem a evolução da Liza e dos agentes orientados para as vendas, a consolidação das interfaces de conversação como porta de entrada para os clientes e o novo ciclo de desenvolvimento de software com agentes.

«A prioridade é encontrar formas de criar melhores experiências. Seja para melhorar a rentabilidade do negócio, garantir a sua solidez ou, acima de tudo, criar experiências que encantem os nossos clientes e colaboradores.»
—André Petenussi, diretor de tecnologia, Localiza

Junte-se à nova era do trabalho

Mais de 1 milhão de empresas em todo o mundo estão a obter resultados significativos com a OpenAI.