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OpenAI

1 de maio de 2024

Segurança

Operação «Zero Zeno»: atividade de influência ligada a Israel

A OpenAI baniu contas ligadas a uma operação com origem em Israel, até então desconhecida e por nós denominada «Zero Zeno», que usava IA para gerar conteúdos contra o Hamas, o Qatar e o BJP e a favor de Israel e da Histadrut.

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Este estudo de caso foi originalmente publicado no relatório da OpenAI de maio de 2024⁠(abre numa nova janela).

Ator

Banimos um conjunto de contas operadas a partir de Israel que estavam a ser usadas para gerar e editar conteúdos para uma operação de influência que abrangia o X, o Facebook, o Instagram, sites e o YouTube. A rede era operada pela STOIC, uma empresa israelita de gestão de campanhas políticas. Em homenagem ao fundador da escola filosófica estoica e para refletir os baixos níveis de interação alcançados pela rede, demos-lhe o nome «Zero Zeno».

Comportamento

Esta operação dirigiu conteúdos em inglês e hebraico a públicos no Canadá, nos Estados Unidos e em Israel. No início de maio, começou a dirigir conteúdos em inglês a públicos na Índia. Parece também ter estado a preparar uma campanha de operações de influência dirigida a públicos no Gana.

A operação usou os nossos modelos para gerar artigos para a Web e comentários para redes sociais, posteriormente publicados em várias plataformas, sobretudo no Instagram, Facebook e X.

Comentários em inglês gerados por esta rede e publicados no Instagram. Tanto a publicação original como as respostas foram geradas por esta campanha.

Comentários em inglês gerados por esta rede e publicados no Instagram. Tanto a publicação original como as respostas foram geradas por esta campanha.

A operação também usou os nossos modelos para criar identidades fictícias e biografias para redes sociais com base em variáveis como a idade, o género e a localização, bem como para pesquisar pessoas em Israel que comentaram publicamente o sindicato Histadrut. Os nossos modelos recusaram fornecer informações pessoais em resposta a estes pedidos.

Os conteúdos gerados por esta rede foram publicados em várias plataformas de redes sociais. Uma investigação em fontes abertas do Digital Forensic Research Lab do Atlantic Council⁠(abre numa nova janela) identificou alguns destes conteúdos no Facebook, Instagram e X; quando essas contas foram desativadas, a operação adquiriu novas contas. Outros conteúdos surgiram em quatro sites que se faziam passar por grupos ativistas centrados no conflito em Gaza e em questões mais amplas das relações entre pessoas de fé judaica e muçulmana: uc4canada.com, the-good-samaritan.com, ufnews.io e nonagenda.com.

Em alguns casos, identificámos contas falsas desta operação a comentar publicações nas redes sociais feitas pela própria operação, provavelmente para dar a impressão de interação por parte do público.

Publicação no X de uma conta associada à atividade inicialmente identificada pelo DFRLab, acompanhada de respostas. Todas as respostas nesta imagem foram geradas por esta campanha.

Publicação no X de uma conta associada à atividade inicialmente identificada pelo DFRLab, acompanhada de respostas. Todas as respostas nesta imagem foram geradas por esta campanha.

Muitas das contas nas redes sociais que publicaram conteúdos desta rede usavam fotografias de perfil aparentemente criadas com um tipo anterior de inteligência artificial: redes generativas adversárias (GAN). Estas imagens podem ser facilmente descarregadas da Internet. Apesar da facilidade com que estas imagens podem ser criadas, identificámos várias contas desta rede nas redes sociais que usavam a mesma imagem. Por vezes, duas ou mais contas com a mesma fotografia de perfil respondiam à mesma publicação nas redes sociais.

Fotografias de perfil de contas no X que publicaram comentários gerados por esta rede. A imagem apresenta indícios visuais compatíveis com a geração por GAN.

Fotografias de perfil de contas no X que publicaram comentários gerados por esta rede. A imagem apresenta indícios visuais compatíveis com a geração por GAN.

Conteúdo

Esta operação dividia-se em várias campanhas temáticas, a maioria vagamente associada ao conflito em Gaza e à questão mais ampla das relações entre pessoas de fé judaica e muçulmana. Em maio, interrompemos algumas atividades centradas nas eleições indianas menos de 24 horas após o seu início.

Uma investigação em fontes abertas realizada em fevereiro⁠(abre numa nova janela) descreveu esta rede a criticar a agência da ONU de assistência aos refugiados da Palestina, a UNRWA. O relatório do DFRLab publicado em março⁠(abre numa nova janela) destacou conteúdos centrados no Canadá que criticavam aqueles que as publicações da campanha descreviam como «islamistas radicais» no país. Outro conjunto centrou-se nas universidades dos Estados Unidos e acusou os manifestantes pró-palestinianos de promoverem o antissemitismo e o terrorismo. Um quarto conjunto centrou-se no Qatar, apresentando os investimentos do país nos EUA como uma ameaça ao modo de vida americano. Um quinto conjunto gerou publicações em hebraico para as redes sociais. Estas publicações elogiavam normalmente a organização sindical Histadrut e a sua liderança. Por fim, em maio, a rede começou a gerar comentários centrados na Índia, que criticavam o BJP, partido no poder, e elogiavam o Partido do Congresso, da oposição.

Por vezes, a rede parece ter mudado as suas contas de um tema para outro — por exemplo, contas que antes publicavam sobre o Canadá passaram a centrar-se nos EUA, na Índia ou na Histadrut (ou em mais do que um destes temas).

Três comentários no X, publicados entre 1 e 4 de maio de 2024 por uma conta que divulgou repetidamente conteúdos gerados por esta campanha. A publicação mais antiga (em baixo) parece ter sido uma tentativa de construir uma identidade fictícia. A segunda publicação centra-se no Canadá e incorpora uma publicação da principal conta desta rede dedicada ao país. A terceira centra-se na Índia.

Três comentários no X, publicados entre 1 e 4 de maio de 2024 por uma conta que divulgou repetidamente conteúdos gerados por esta campanha. A publicação mais antiga (em baixo) parece ter sido uma tentativa de construir uma identidade fictícia. A segunda publicação centra-se no Canadá e incorpora uma publicação da principal conta desta rede dedicada ao país. A terceira centra-se na Índia.

Alguns dos conteúdos criados por esta rede foram publicados nas redes sociais em resposta a figuras ocidentais proeminentes de ambos os lados do espetro político. Estas respostas não tinham, em geral, qualquer relação com a publicação original. Por exemplo, um comentário sobre o Qatar estar a «comprar» os Estados Unidos foi publicado em resposta a uma publicação sobre as preferências musicais do antigo Presidente Trump.

Em cima, publicação de Laura Ingraham sobre as preferências musicais do Presidente Trump. Em baixo, publicação com um comentário gerado por esta rede. Note-se a diferença nos números de interação entre a publicação original e a resposta.

Em cima, publicação de Laura Ingraham sobre as preferências musicais do Presidente Trump. Em baixo, publicação com um comentário gerado por esta rede. Note-se a diferença nos números de interação entre a publicação original e a resposta.

Avaliação do impacto

A atividade da Zero Zeno parece ter gerado pouca ou nenhuma interação, além da proveniente das suas próprias contas falsas. (Muitas contas já foram desativadas pela Meta e pelo X, pelo que os atuais números de interação poderão não apresentar uma imagem completa.)

Usando a Breakout Scale⁠(abre numa nova janela) para avaliar o impacto das operações de influência, que as classifica numa escala de 1 (mais baixo) a 6 (mais alto), consideraríamos esta uma operação de Categoria 2, caracterizada pela publicação de conteúdos em várias plataformas e sites, mas sem indícios de amplificação significativa por pessoas externas à rede.

Canal do YouTube associado à campanha desta operação dirigida ao Canadá. Em 25 de abril de 2024, tinha publicado um vídeo, que não recebera qualquer visualização.

Canal do YouTube associado à campanha desta operação dirigida ao Canadá. Em 25 de abril de 2024, tinha publicado um vídeo, que não recebera qualquer visualização.

Indicadores

Identificámos os seguintes domínios como estando associados às campanhas da Zero Zeno.

  • nonagenda.com

  • the-good-samaritan.com

  • uc4canada.com

  • ufnews.io