Burla de tarefas: empregos de avaliações falsas com recurso a IA
A OpenAI baniu contas aparentemente oriundas do Camboja que usavam IA para traduzir mensagens em burlas de empregos de avaliações falsas, nas quais se exigia às vítimas o pagamento de taxas.
Este estudo de caso foi publicado originalmente no relatório da OpenAI de fevereiro de 2025(abre numa nova janela).
Interveniente
Banimos um conjunto de contas do ChatGPT que traduziam pequenos comentários entre urdu e inglês, compatíveis com uma burla de «tarefas(abre numa nova janela)», na qual são oferecidos às vítimas empregos muito bem remunerados, mas depois lhes é exigido que depositem o seu próprio dinheiro no sistema antes de poderem aceder aos supostos «ganhos». Esta atividade parecia ter origem no Camboja. Nestas burlas, as vítimas perdem geralmente tanto os «ganhos» como o seu próprio dinheiro. Começámos a investigar esta atividade após recebermos uma denúncia da Meta.
Comportamento
Esta rede usava os nossos modelos sobretudo para traduzir entre urdu e inglês pequenos comentários compatíveis com conversas entre um burlão e as suas vítimas. Identificámos referências a mensagens no Telegram (aparentemente a sua principal plataforma), WhatsApp e SMS, bem como em vários fóruns e grupos de emprego onde era possível publicar ofertas de trabalho.
Os burlões pareciam fazer-se passar por dois tipos principais de personagem. Um deles era o «recrutador»: as suas mensagens eram contactos não solicitados que anunciavam trabalho remoto bem remunerado. O outro, responsável por um maior volume de atividade, era o «mentor», que dava seguimento aos contactos do «recrutador» e ensinava o alvo a desempenhar o trabalho. Os mentores faziam muitas vezes referência a sessões de formação no Telegram.
Ocasionalmente, os burlões também usavam os nossos modelos para rever o texto de sites. Esses sites pareciam imitar os nomes e a aparência de marcas de luxo das áreas do design, da moda e das viagens. As personagens de «mentor» alegavam recrutar em nome dessas marcas, o que indica que os sites eram provavelmente usados para dar maior credibilidade à burla.
Resultados gerados
Com base na nossa visibilidade limitada, os burlões parecem ter seguido um processo habitual para conduzir os alvos desde o primeiro contacto até à burla:
Publicar a oferta: com base nos pedidos e resultados gerados, os burlões parecem ter começado por publicar ofertas de trabalho em vários fóruns online. As ações de recrutamento referiam normalmente trabalho remoto e parecem ter incluído salários relativamente elevados para pouco trabalho, por exemplo, 300 dólares por dia, além de bónus, por algumas horas de trabalho. Estas ofertas eram normalmente publicadas pela personagem do «recrutador».
Recrutar: em seguida, os burlões geravam comentários na voz do «mentor» para contactar potenciais trabalhadores através do que indicavam poder ser várias aplicações de mensagens e diziam trabalhar com o «recrutador». O «mentor» alegava trabalhar para uma das marcas de luxo para as quais a operação tinha criado um site. Descreviam a tarefa como a publicação de avaliações de cinco estrelas nos sites dessas marcas de luxo, alegadamente para melhorar as classificações atribuídas pelos clientes.
Tranquilizar: nos resultados gerados, os burlões garantiam muitas vezes aos alvos que o trabalho era legítimo por ser realizado em nome de uma empresa com muitos anos de atividade. Se o alvo mostrasse desconfiança, o burlão alegava que também já tinha sido vítima de uma burla, mas que esta oportunidade era segura.
Dar formação: se o alvo continuasse interessado, os resultados gerados sugeriam que o «mentor» lhe ofereceria formação, geralmente no Telegram. Inicialmente, o alvo recebia acesso a uma «conta de formação», na qual teria de concluir entre 25 e 35 tarefas de avaliação por dia. A «conta de formação» mostrava os «ganhos» do alvo a aumentar rapidamente.
Entusiasmar: se o alvo prosseguisse a formação, os resultados gerados indicavam frequentemente que lhe seria oferecida uma tarefa de avaliação «especial» ou «suprema», com um bónus mais elevado. O «mentor» salientava como a tarefa era rara e como o alvo tinha tido sorte.
«Taxa de ativação»: quando os «ganhos» do alvo atingiam determinado nível, os resultados gerados incluíam o «mentor» a dizer-lhe que precisava de pagar uma «taxa de ativação» para poder levantar os «ganhos». Se necessário, o burlão incitava o alvo a pedir o dinheiro emprestado a amigos ou familiares.
Pressionar: os resultados gerados mostravam que, se o alvo hesitasse em pagar, o burlão se tornaria cada vez mais agressivo, pressionando-o através de comparações com outros trabalhadores mais eficientes e dizendo que perderia os ganhos se não efetuasse o pagamento.
Inventar desculpas: nos resultados gerados, quando havia indícios de que o alvo tinha pago, o burlão apresentava uma série de desculpas para justificar por que motivo o alvo não podia levantar os ganhos, dizendo muitas vezes que teria de pagar mais.
Impacto
Algumas conversas mostraram que os alvos estavam muito céticos, e alguns dos comentários gerados pelos burlões assumiam a voz de um mentor que tentava saber por que motivo o alvo deixara de responder, o que sugere que esta burla teria provavelmente uma baixa taxa global de conversão. No entanto, algumas conversas e relatos online sugerem que pelo menos algumas das vítimas chegaram efetivamente a investir dinheiro nestas burlas. Não podemos verificar de forma independente atividades que ocorram fora das nossas ferramentas.
As políticas da OpenAI proíbem estritamente a utilização de resultados das nossas ferramentas para cometer fraudes ou burlas. Estamos empenhados em colaborar com outras empresas do setor e com as autoridades para compreender de que forma a IA influencia comportamentos hostis e para travar ativamente as atividades de burla que fazem uso abusivo dos nossos serviços. Em linha com este compromisso, partilhámos informações sobre as redes de burlas que desmantelámos com outras empresas do setor e com as autoridades competentes, a fim de reforçar a nossa segurança coletiva.